COLONIALISMO VERDE E TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
EXPLORAÇÃO MINERAL, JUSTIÇA AMBIENTAL E DESIGUALDADES NO SUL GLOBAL
DOI:
https://doi.org/10.63054/2177-823X.2026.845Resumo
A transição energética tem sido apresentada como estratégia indispensável para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a redução da dependência global de combustíveis fósseis. Entretanto, a crescente demanda por minerais estratégicos, terras para empreendimentos energéticos e infraestrutura voltada à produção de energias renováveis tem produzido novas formas de apropriação territorial e intensificação do extrativismo em países do Sul Global. O problema de pesquisa consiste em analisar em que medida a transição energética contemporânea reproduz dinâmicas associadas ao colonialismo verde e à distribuição desigual dos impactos socioambientais. Parte-se da hipótese de que a busca por fontes energéticas consideradas sustentáveis tem sido acompanhada pela expansão de práticas de green grabbing, colonialismo energético e neoextrativismo, concentrando benefícios econômicos em determinados atores e transferindo custos ambientais e sociais para comunidades historicamente vulnerabilizadas. O objetivo do estudo é examinar os vínculos entre transição energética, exploração mineral e justiça ambiental, com ênfase nos impactos produzidos sobre territórios e populações do Sul Global. Metodologicamente, adota-se abordagem analítica e dedutiva, desenvolvida mediante pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados indicam que a sustentabilidade energética não pode ser avaliada apenas pela redução das emissões de carbono, exigindo também a consideração dos efeitos sociais, territoriais e ambientais associados à produção dos insumos necessários para sua implementação.
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